Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é... sua escolha. Inspire-se!
domingo, 5 de agosto de 2012
KIT BÁSICO
O mascarado precisou trabalhar e aproveitei para dar uma mudada no visual. Nada muito radical, mas o suficiente para me transformar numa nova mulher. Homem gosta disso, de acordar com uma loira e ir dormir com uma morena. Pois hoje virei ruiva. Acho que tons quentes, acobreados, têm tudo a ver com o inverno, independente da moda. Então, fiz luzes avermelhadas nos cabelos. Fiquei lindíssima – vocês sabem que modéstia não combina com mulheres ousadas, né? Me adorei! Dei um banho de creme, também, e não fiz escova porque quero minhas longas madeixas selvagens, bem crinas, boas de cavalgar.
Depois da manicura, pedicura, essas duas palavras tão feias e tão necessárias na nossa vida, encarei uma depilação e uma massagem ayurvédica para repor as energias, que não sou de ferro. Pensam que é fácil levar uma vida libertina? Praticamente troca-se o dia pela noite, isso quando a noite não vira dia e emenda com o dia seguinte. Sim, é maravilhoso, divertido e, SIM, é um tesão. Mas mais que tudo isso, é um esporte: requer dedicação, treino intensivo para não perder a forma e pesquisa de novas técnicas, acessórios e parceiros - não para aumentar, porque a quantidade é o que menos importa, mas para melhorar a performance na busca pelo prazer. Comparo à vida de atleta: no meu caso, uma atleta sexual. Não ganho medalhas, mas quase sempre estouro um champanhe pra comemorar. Ula-lá!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
LOTERIA
Tirei a sorte grande. E não foi por que o Mascarado me levou
para almoçar no dia seguinte, no Bar des Arts, um restaurante bacanérrimo de
São Paulo, com direito a carpaccio de entrada, filé mignon de saída e cineminha
de sobremesa – pornô, claro, daqueles bem fuleiros que a gente entra só pra dar
uma rapidinha e depois sai rindo, mais leve, achando graça nas taras alheias e
na nossa própria falta de bom senso. Tem certas coisas que quebram totalmente o
romantismo, mas quem disse que uma paixão vive só de rosas vermelhas e
declarações de amor ao pé do ouvido? É bom ser oito e oitenta, ser a lady na mesa e a vadia na cama. Eles
gostam, ficam loucos por nós. E a gente adora!
Tampouco foi pela very
happy hour no Skye Bar do Hotel Unique regada a martini doce com cereja e
discretos beijos apimentados com arrepios promissores e um pôr do sol
fantástico. Nem por que ele alugou uma suíte no hotel e me arrastou pra lá,
assim, com urgência, algo inesperadamente fora da programação, mas
circunstancialmente necessário devido ao alto grau de tesão acumulado pelo pôr
do sol apimentado com cerejas fantásticas e promissores beijos arrepiantes.
domingo, 22 de julho de 2012
SURPREENDENTE
Se há uma coisa verdadeiramente surpreendente no Mascarado é
a capacidade dele fazer com que a surpresa seguinte seja sempre melhor que a anterior.
Minha noite foi uma sequência de encantamentos e não recordo bem em que momento
de exaustão ou felicidade adormeci. Quando despertei, estava no quarto dele, na
cama king size, em meio a alvos
lençóis e travesseiros de pena de ganso. Olhei para o lado e não o vi. Levei a
mão ao rosto e sim, minha máscara estava lá. Por um segundo achei que ele pudesse
ter tido a curiosidade de saber quem eu era. Quem eu sou. Porque, com certeza,
depois dessa noite, não sou mais o que eu era antes.
Em algum lugar do quarto, talvez por todos os cantos, tocava
delicadamente Twilight Song, do Charlie Haden. Eu sei pois sou louca por esse
álbum (Night and the City) que ele gravou com o Kenny Barron. Agora, como o Mascarado
descobriu, não me pergunte. Às vezes eu acho que ele lê a minha mente. Não pode
ser uma simples coincidência.
Desci da cama, nua, e só então percebi a coisa mais
inacreditável: o quarto estava cheio da minha presença. Eu estava em todos os
lugares, em todas as paredes! Na penumbra, iluminadas por pequeninas luzes
direcionadas, fotografias de partes do meu corpo, em preto e branco, estavam
emolduradas e penduradas para onde quer que olhasse. Grandes coxas, bunda,
lábios, colo, pernas, pés, mãos, queixo, pescoço, púbis, todas as minhas curvas
e reentrâncias se exibiam em poses sensuais, lindas, me transformando no
abecedário da anatomia – e porque não da alma?, feminina. Fiquei absolutamente
atordoada, estupefata, maravilhada, não sei que palavra usar.
sábado, 21 de julho de 2012
PODEROSA E SUBMISSA
Fenomenal: raro, singular, extraordinário, admirável,
formidável, espantoso, assombroso, surpreendente, gigantesco, descomunal.
Fiquei em dúvida sobre qual sinônimo pescado no dicionário usar, usei todos. A
casa do mascarado nos Jardins, em São Paulo, era algo como ele: indescritível.
A entrada era camuflada por plantas, muitas plantas, mal se via a fachada. Mas
quando os portões de madeira maciça se abriram, revelaram um verdadeiro Jardim
do Éden, com esculturas aqui e ali e uma pontezinha linda que cruzava um
pequeno lago com uma fonte levava a um recanto com redes e futons sobre
estrados. Foi ali que nos instalamos.
A noite estava agradável, uma brisa soprava fininho, daquelas
que não mata de frio, mas arrepia a pele. A lua espiava entre nuvens e, além
dela, duas tochas eram tudo o que iluminava o ambiente. Uma música tribal,
densa, excitante, amornava o ar. Despojado, ele tirou os sapatos e, com os pés
descalços, se dirigiu a uma mesinha de canto onde havia uma bandeja com bebidas.
Voltou com dois cálices pequenos. Olhei para aquela imagem, Deus grego
mascarado de calça cargo e camisa cheia de amarras, entreaberta no peito,
sorriso e covinhas convidativos, vindo em minha direção. Suspirei. Ele parou no
meio do movimento e, depois de alguns segundos me contemplando, disse: “Nunca
vou esquecer este momento”. Tirou as palavras da minha boca.
sábado, 14 de julho de 2012
ARIGATÔ
Às 18h, o interfone tocou. Eu estava no quarto, afogada em
rendas e espartilhos, na maior dúvida: o que vestir? Raramente entro em crises
deste tipo porque só tenho no armário peças que amo, mas hoje não estava em
climinha de amor: fervia de paixão. Precisava de uma lingerie que transbordasse
meu rio incandescente feito barreira que se rompe com a intensidade não da
água, mas do fogo. Bééép. O interfone. Era o porteiro anunciando a
entrega de uma encomenda. “Encomenda?”, não fazia ideia do que se tratava.
Mandei subir.
Um senhor com quepe e luvas brancas, muito sério, me estendeu
uma caixa com um laço enorme de presente. “Da parte do senhor Jorge, com a sua
licença”, e se retirou. Fiquei segurando o pacote, atordoada. Parecia cena de
filme - diretor, qual é a minha fala mesmo? Perplexa, mas absolutamente
encantada, desembrulhei o laçarote e abri a tampa. Em meio a um papel de seda
finamente embrulhado, estava um conjunto de lingerie perolado, lindíssimo, com
uma deslumbrante máscara de porcelana chinesa. E uma carta.
terça-feira, 10 de julho de 2012
SURPRESINHA MATINAL
Acordei com a campainha tocando. Droga, quem seria num domingo de manhã? Sentei na cama, olhei pro Rafa ao meu lado, que abriu os olhos e sorriu. Exclamei: “Que preguiça de levantar”. Desabei sobre o travesseiro, me esticando feito uma gata manhosa. Esperamos soar uma segunda vez, mas nada aconteceu. Minto. Começou a acontecer. O Rafa beijou a minha mão com uma boca molhada e gostosa e foi me puxando como carretel de pescaria. Fui desfalecendo dengosa. Quando ele passou do ombro, já estava chegando no pescoço, béééé, a campainha tocou de novo.
“Quer que eu atenda?”, perguntou. “Deixa, acho que sei o que é”, pensei na síndica e na possível queixa ao meu queridinho ter estacionado o carro na vaga do Patrick, um vizinho que está viajando. Joguei a camisa social do Rafa sobre o corpo e abri a porta seminua. Era o zelador com uma cesta de café da manhã enorme, coisa de cinema. Uau! De quem seria? Havia um cartão no formato de uma máscara. Senti um arrepio na espinha, meu coração disparou, só podia ser ele: o Mascarado. Segurei junto ao peito, mas não li. Não queria estragar o fim de semana tão gostoso com um dos meus mais antigos e queridos casos.
domingo, 8 de julho de 2012
ESTOQUE DE CAMISINHAS – PARTE 2
É claro que voltei ao templo das underwears masculinas. E é óbvio que meu ex-chefe charmosérrimo estava me esperando feito um cachorrinho daqueles que a gente amarra do lado de fora do supermercado. E é mais certo ainda que não entrei pela porta da frente como ele poderia supor, mas dei um jeito de me esgueirar pela copa e ficar lá no fundo do salão mirando-o feito uma águia prestes a colocar as garras em seu coelho indefeso e apetitoso. Ok, de indefeso ele não tem nada, agora de apetitoso, hum, só de vê-lo me deu água na boca.
Há várias vantagens em se voltar à festa assim de soslaio. A principal, na minha opinião, é poder observar a pessoa que a gente está a fim e, pelo sinais corporais que ela emite, saber se as intenções dela são as mesmas que as nossas. Eu não tinha dúvida que o Toni me queria. Só me deu vontade de confirmar o quanto era esse querer. Porque eu estava descendo uma ribanceira de tesão por ele e não queria me arranhar no asfalto do mais ou menos: queria me esfolar viva num rala e rola daqueles de doer de tão bom.
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