Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é... sua escolha. Inspire-se!
sexta-feira, 22 de junho de 2012
INDECÊNCIA
Recebi um email, desses que não têm dono, com uma historinha que casou muito bem com o assunto que eu ia abordar hoje. Diz mais ou menos assim: um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, e no centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui".
É mais ou menos isso que acontece em relação ao sexo. Desde que o mundo é mundo ele existe no reino animal, mas em algum momento da história da humanidade alguém decretou: “É uma pouca vergonha!”. E desde então estamos fadados a acreditar que a prática desse saudável e delicioso exercício é sujo, feio, imoral e vergonhoso. Desde então somos doutrinados a acreditar que só o papai-e-mamãe para a procriação é permitido - e olhe lá, só casando, heim? - e todas as outras variáveis e orifícios são coisa de gente imunda. Sexo? Só entre um homem e uma mulher. Sexo? Só pela frente, por trás é pecado. Sexo? Só com amor. Sexo? Ui, essa palavra me dá arrepios.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
CLUBE DE SWING – PARTE 2
Ele chegou e eu saí de mim. Escorreguei pra fora do meu corpo
feito lava incandescente. Um rio quente foi descendo pelas minhas pernas e
crispando cada naco de carne que encontrou pelo caminho. Minhas coxas se
arrepiaram e as contraí enquanto a língua dele já ia fundo dentro da minha
garganta, num beijo incontrolável e ardente. Não resisto a um sussurro ao pé do
ouvido e ali, naquele clube de swing, com aquela energia toda no ar e aquele
belo par de performers dando tudo de si no melhor strip-tease que já
assisti na vida, ser tocada assim, por trás, inesperadamente, me acendeu por
completo. Peguei fogo. Peguei-o pelos cabelos e pensei em nunca mais soltá-lo.
“Desculpa o atraso”, falou quando finalmente nos descolamos e
sentou ao meu lado. “Você vai ter que se redimir”, respondi com um sorrisinho
sacana, enquanto puxava a gravata dele para um outro beijo voluptuoso. Ele
quem?, vocês devem estar se perguntando. Calma, já conto, deixe-me tomar
fôlego. Acredite se quiser, reencontrei o deus grego da festa do labirinto, o
Bruno. Na verdade, foi ele quem me achou. No nosso último e primeiro encontro
estávamos tão atordoados de tesão que esquecemos de trocar telefones. E,
diferentemente de outros que transo por esporte, esse me deu vontade de dar um
repeteco - foi gostoso demais para deixá-lo feito pipa solta ao vento.
terça-feira, 12 de junho de 2012
CLUBE DE SWING
Fui num clube de swing. Não sou grande frequentadora desses
lugares, mais por falta de par do que por falta de vontade. Sai injustamente
caro ir sozinha: o dobro do que custa a entrada de um casal. Infelizmente, nem
sempre encontro alguém com a cabeça aberta o suficiente para me dividir com
outros, ao vivo e a cores, numa boa. Mas sexta passada era aniversário do
Artur, amigo bem íntimo, daquela turma libertina que já comentei e ele resolveu
comemorar em grande estilo. Estavam todos lá: o Duda, a Nina, a Bebel, o John,
a Silvinha, o Hugo e, claro, vários outros casais assíduos da casa. Eu não
podia faltar.
Cheguei sozinha, o que não é muito legal. É, digamos, uma
falta de respeito para com os outros. Mais ou menos como ir numa praia de
nudismo e não tirar a roupa. Você passa duas mensagens: uma, que está com
vergonha – e se tem vergonha, o que faz numa praia naturalista? Caso contrário,
só pode ser por curiosidade – o que também desagrada aos nudistas, que não
estão despidos para se exibir e sim como filosofia de vida, para se integrar à
natureza. Conhecendo as regras, pedi desculpas à hostess. Expliquei que o meu
delicioso par só chegaria mais tarde e que não queria perder o show de
strip-tease das 21h - o que era a mais pura verdade.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
SANTINHA DO PAU OCO
Meu amante mascarado teve que viajar a trabalho.
Achei péssima essa abstinência forçada. É o mesmo que a gente comprar um
sorvete e, na primeira lambida, cair a bola inteira no chão. Fica aquela
certeza de desperdício mesclada com um gostinho de quero mais. Ah, como eu
queria estar agora passando a língua mil vezes de cima a baixo naquele homem
gostoso sabor de pecado.
Sempre que quero muito uma coisa, ou alguém, ou uma situação, e não está nas minhas mãos o poder de alcançá-la, penso assim: "Vivi a minha vida inteira sem isso e nunca me fez falta. Posso sobreviver mais um dia (uma semana, um mês!). Não passa a vontade, mas aplaca a ansiedade. Procuro pensar em coisas legais que fiz, pessoas que me deixaram feliz, situações que me deram prazer. E que poderia repetir, se quisesse. Então, um calor bom de conforto me aquece o peito e um sorriso largo me rasga os lábios e já me animo toda. Porque a vida é o que a gente quer que ela seja.
Sempre que quero muito uma coisa, ou alguém, ou uma situação, e não está nas minhas mãos o poder de alcançá-la, penso assim: "Vivi a minha vida inteira sem isso e nunca me fez falta. Posso sobreviver mais um dia (uma semana, um mês!). Não passa a vontade, mas aplaca a ansiedade. Procuro pensar em coisas legais que fiz, pessoas que me deixaram feliz, situações que me deram prazer. E que poderia repetir, se quisesse. Então, um calor bom de conforto me aquece o peito e um sorriso largo me rasga os lábios e já me animo toda. Porque a vida é o que a gente quer que ela seja.
terça-feira, 5 de junho de 2012
EM ÓRBITA
A Silvinha foi embora sob protestos. Por ela, ficava comigo
até o sol raiar e confesso que a ideia não me era de todo desagradável. Muito
pelo contrário, ela entrou numa academia recentemente e está com um traseiro
deliciosamente sarado e coxas musculosas e suculentas que, em conjunto, chegam
quase a ofuscar aquela boquinha linda e doce de beijar que tanto adoro. Mas eu
estava curiosíssima para ler as mensagens do meu Mascarado lá no Messenger. Ler
sozinha. Uma coisa é compartilhar com uma amiga os assuntos pertinentes ao
homem da gente, outra coisa é compartilhar “o” homem. A não ser que a suruba
seja instituída e de comum acordo entre as partes, prefiro degustar meus
parceiros com exclusividade. Ainda mais um peixão raro que caiu na minha rede
como esse.
Lá estava ele, alucinado por mim. Da meia-noite às 3h da
manhã, hora em que consegui me desenlear dos braços de polvo da Silvinha, da
pele de seda da Silvinha, das mordiscadas arrepiantes no lóbulo do meu ouvido,
ula-lá, da Silvinha, o Mascarado me mandou infinitas mensagens. Infinitas como
são as estrelas que vi quando estive com ele dentro de mim em nosso último
encontro. Último e primeiro. Primeiro de uma série - o segundo estava prestes a
acontecer. E se dependesse de mim, ainda esta noite.
domingo, 3 de junho de 2012
RINDO À TOA
Cheguei em casa completamente exausta, sorrindo à toa. O mascarado e eu passamos dois dias enfurnados no motel - ok, uma noite e um dia. Não vimos as horas passarem, a ponto do serviço de quarto bater na nossa porta para saber se estávamos vivos - o que achamos um absurdo, mas depois caímos na gargalhada. E comemos uva feito Baco e tomamos champanhe feito água e fiz-lhe uma massagem feito uma tailandesa e ele me degustou feito uma fruta suculenta. E me cavalgou feito um potro e dancei para ele feito uma stripper e tomamos banho feito dois gatos e cá estou feito uma geléia, amolecida de prazer.
Chamei a Silvinha para fofocar. Estou me sentindo uma adolescente apaixonada, uma espécie de Cinderela que dançou com o príncipe encantado e fugiu no meio do baile. Tudo bem, não fugi, mas de certa forma ele não sabe quem sou e não deixei pista alguma sobre o meu paradeiro ou identidade a não ser um recado escrito com batom no espelho do motel, bem clichê: “Te encontro à meia-noite”. Só não disse onde, nem quando. E ainda por cima deixei uma rosa vermelha sobre o dorso dele, tão lindo, belo adormecido entre os travesseiros.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
ÍNTIMO DESCONHECIDO
Combinamos de nos encontrarmos num motel, em duas horas.
Quase não precisei me arrumar – estou sempre pronta para uma deliciosa
sacanagem. Mas tirei do armário uma relíquia que eu trouxe de Paris para
momentos especiais: um conjunto de lingeries negras, rendadas, com espartilho
vitoriano, presilhas de prata e tudo o que tenho direito para incrementar o
strip-tease alucinante com o qual eu presentearia Jotabê pela coragem de
embarcar nessa louca fantasia. Vou ser para ele, esta noite, tudo o que eu
imagino que ele quer que eu seja. Selvagem, mas feminina. Sedutora, mas
delicada. Pró-ativa, mas totalmente disponível. Ele me imagina uma deusa, mas
vou ser bem mais que isso: serei uma deusa apalpável.
Coloquei um vestido de seda curto, vermelho, cujo comprimento
da saia se alinha com a barra das meias 7/8. Quando eu rebolo a saia ondula
levemente, o suficiente para mostrar, num relance, o início da cinta liga, só
para, em seguida, devolver as minhas coxas aos mistérios profundos em que elas
se revelam e desvendam. Não passei perfume algum. Quero que ele se impregne do
meu cheiro. Prendi os cabelos desajeitadamente e ficaram caindo em cascatas rebeldes.
O salto agulha não poderia ser outro. Já a máscara, escolhi uma em forma de
“mulher-gato”, que deixou à mostra meus lábios carnudos, bem sensuais. Eu tinha
outras, mas essa casou direitinho com meu instinto felino de hoje. Uma coisa,
assim, gata no cio.
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